URGENTEMENTE - é urgente o amor. é urgente um barco no mar. é urgente destruir certas palavras. odio, solidão e crueldade, alguns lamentos muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Eugénio de Andrade





Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

Quinta-feira, 29 de Dezembro de 2011

CONTRA O ESTADO DA NAÇÃO, CONTRA A PASSIVIDADE


Desde há um ano, o Porto tem um artista gráfico de rua, anónimo, que faz intervenções em azulejo com crítica social e política. A última placa, formada de seis azulejos, foi colocada no Largo Mompilher e dizia: Largo José Sócrates (mentiroso, corrupto, incompetente, Primeiro-ministro 2005/2011. A placa já foi retirada Este artista já espalhou pela cidade do Porto, 12 placas, mais ou menos uma por mês. Em Lisboa também já colocou duas, nas escadas da Assembleia da República (ASSEMBLEIA DE INCOMPETENTES) e no Tribunal de Relação (TRIBUNAL DE PENA SUSPENSA).

O JN conseguiu descobri-lo e entrevistá-lo, trata-se de um estrangeiro a viver há 27 anos no Porto, grande apaixonado por física e grande admirador do graffiter Banksy.

Em entrevista, onde manteve o anonimato disse:

«A arte da rua é efémera, mas o que toda a arte procura é provocar uma reacção. Toda a arte é política o que quero é pôr as pessoas a questionar-se porque são socialmente passivas. Daí a provocação política».

Os objectivos são mesmo fazer críticas ao estado da nação e à passividade das pessoas.

A sua mais recente intervenção, foi um azulejo colocado na Rua Miguel Bombarda que diz: 1984? Nome do romance de George Orwell, sobre um mundo ditatorial que vive em guerra permanente. O artista diz que é o livro mais importante para ler hoje.

Segunda-feira, 26 de Dezembro de 2011

COMO VENCER A CRISE?

A situação de Portugal é problemática, termo entre catastrófica, de algumas mentes pessimistas que antevêem de uma forma realista e quase profética um caos e, os que dizem «vamos indo e vamos vendo», alienando-se para os sinais.

Que é possível fazer, perante uma anunciada recessão, com imobilização económica e desemprego?

Li recentemente, que Nova Iorque duplicou o turismo e isso tem a marca do Mayor Bloomberg, que apostou em força nesse sector. «O turismo tornou-se uma actividade crescente e a única que cria empregos».

Portugal tem um grande potencial turístico e é aí que a aposta deve ser feita. Têm sido feitos alguns esforços neste sector, mas o esforço pode ser maior. Além da paisagem diversificada, temos um potencial ainda pouco explorado, que é a nossa história. Estive recentemente em Lisboa, andei pela zona Expo e aí há várias alusões ao Vasco da Gama, mas porque na altura própria, não foi construído um Museu dos Descobrimentos?

Nigel Cliff, um escritor britânico escreveu uma biografia sobre Vasco da Gama, que não foi tarefa fácil pela dificuldade em encontrar fontes, para saber como era a vida quotidiana na época dos Descobrimentos. Um museu dos descobrimentos em local fechado ou por núcleos espalhados pela cidade, parece-me muito pertinente. Pode ser caro, mas é um investimento, para um turismo, que não se interessa só por praia, mas pela aquisição de conhecimentos.



Lisboa tem este grande potencial, os descobrimentos, por outro lado o Porto e Gaia, tem o seu célebre vinho e toda uma História que o envolve. Há a considerar também a beleza do Douro, única região do mundo que produz duas denominações de origem, o vinho do Porto e o vinho de mesa do Douro e uma grande variedade de outros vinhos: moscatel, espumante, aguardente vínica. É um solo de pedra capaz de produzir vinha, aos socalcos, com um típico trabalho humano e com a extraordinária beleza do rio Douro.

Foram os ingleses que inventaram o vinho do Porto, pelo interesse de conservação do vinho na viagem até a Inglaterra. Não deixavam que as uvas entrassem em processo de fermentação natural, adicionando-lhe aguardente. O mosto ao receber a aguardente vínica não desdobra os álcoois que tem, guardando a fruta e o açúcar.

Muito se fez, mas muito há a fazer com mais força e inteligência e outras cidades podiam ser citadas.

Não é preciso inventar nada, temos o essencial, o principal é trabalhar esses meios.

Quarta-feira, 21 de Dezembro de 2011

O Amor é um Acidente, uma Renúncia, um Hábito, uma Maldição


José Eduardo Agualusa, in 'A Educação Sentimental dos Pássaros '

O amor é um acidente.
Eu estava sentada no regaço de uma mulher de cobre, uma escultura de Henry Moore, e Bill debruçou-se sobre mim e beijou-me nos lábios. E de repente eu amava-o. Amava-o e só isso importava. Reparei nas mãos dele, mãos de pianista. Mãos preparadas para o amor. Ainda hoje gosto de lhe ver as mãos enquanto folheia um livro, enquanto lê um jornal. As mãos dele envelheceram, envelheceram a apertar outras mãos, milhares de outras mãos, a jogar golfe, a assinar autógrafos e documentos importantes. Envelheceram, sim, mas continuam belas. Continuam a excitar-me.
O amor é uma renúncia. Amar alguém é desistir de amar outros, é desistir por esse amor do amor de outros. Eu desisti de tudo. A partir desse dia dei-lhe todos os meus dias. Entreguei-lhe os meus sonhos, os meus segredos, as minhas convicções mais profundas. Não me queixo!
Não sou ingénua nem estúpida. Quando digo que o amor é uma renúncia, quero dizer que foi assim para mim. Para Bill foi sempre uma outra coisa. Eu sabia que ele reparava noutras mulheres, e que outras mulheres reparavam nele. Um homem feio, com poder, é quase bonito. Um homem bonito, com poder, é quase um Deus.
Apesar da minha educação cristã, ou por causa dela, sempre me recusei a viver sujeita à ameaça do pecado. As grandes indústrias vêm tentando convencer-nos de que é possível tirar o veneno ao prazer e ficar apenas com o prazer: café sem cafeína, cerveja sem álcool, cigarro sem nicotina - amor platónico. Quanta estupidez. Quem bebe café procura a exaltação da cafeína. Quem pede uma cerveja numa tarde de sol quer refrescar o corpo, sim, mas também quer soltar o espírito. Se é para pecar quero o pecado inteiro.
Bill teve o seu castigo. Tivemos os dois. Foram dias difíceis, foram noites ainda mais difíceis, mas passaram. Uma manhã acordei e já não tinha lágrimas. Noutra manhã acordei e já não o odiava. Finalmente acordei e estava de novo abraçada a ele.
O amor é um hábito. Como acham que cheguei até este dia? Foi o amor que me trouxe. Maldito seja.

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

«Metade da minha alma é feita de maresia».

Mar sonoro, mar sem fundo mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós.
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim.
Mar Sonoro

Sexta-feira, 16 de Dezembro de 2011

PENSAMENTOS

Qual é o problema da contradição? Não será por estarmos sempre a repensar, a pôr em causa, a ver os diferentes lados das situações, que nos contradizemos?


A nossa condição humana, faz-nos sentir culpados, porque queremos sempre fazer melhor e não sabemos como!