URGENTEMENTE - é urgente o amor. é urgente um barco no mar. é urgente destruir certas palavras. odio, solidão e crueldade, alguns lamentos muitas espadas. É urgente inventar alegria, multiplicar os beijos, as searas, é urgente descobrir rosas e rios e manhãs claras Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer. É urgente o amor, é urgente permanecer. Eugénio de Andrade





Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Como se vive a arte no Porto

Justino Alves - Composição

Há uma colecção de arte a ser construída, desenhos modernos e contemporâneos dos séculos XIX e XX, «estamos a tentar criar um fio condutor que dê uma escala e dimensão para o futuro. Esta colecção servirá depois para acções de intercâmbio com escolas e galerias».
O comissário da exposição é Francisco Laranjo, em colaboração com outros professores da FBAUP. Fazem parte do espólio nomes importantes, muitos deles que estudaram ou foram professores na Escola do Porto, são mais de 150 obras doadas. «Estar em comunhão com estas obras é ser testemunha de muitos desassossegos que confluíram para uma espécie de paz que se diz existir para além do entendimento».
Recorrendo ao pensamento de Sigmund Freud, Theo Van Leeuwen refere, no seu The Language of Colour, que o prazer não existe num vácuo. Nunca está separado da representação, pelo contrário, está sempre associado a representações mentais do mundo. Francisco Laranjo amplia esta imagem ao defender o Desenho como «a disciplina através da qual podemos ver toda a História do pensamento e da humanidade. É essa grandeza e essa dimensão do pensamento que esta exposição projectab ».
Os artistas são grandes desenhadores e Francisco Laranjo considera o desenho o pensamento, a caligrafia e, em simultâneo, a grande franqueza e simplicidade do artista. «É o modo de enunciar a organização do espaço numa superfície, de encontrar a emoção no percurso de uma linha e do cruzamento dessas linhas na reorganização do espaço e do entendimento do momento».
«É um acto de fé e de entrega no outro e em si próprio». A franqueza e a simplicidade conferem ao desenho um estatuto de genuidade do pensamento, mas o Desenho também revela uma faceta inquietante e interventiva perante o mundo. Esta reflexão é uma proposta. Um desenho é uma intervenção. Esse lado é tão fascinante quanto aparentemente frágil».
Esta exposição será um testemunho da generosidade dos autores contemporâneos para com a U. Porto.

Henrique Pousão
Fonte: Revista da Universidade do Porto

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